Domingo, Abril 26, 2009
Continuando a leva de posts que deveriam ter sido feitos há séculos atrás...
I'm a cyborg but that's ok (Saibogujiman kwenchana, 2006) - Eu me surpreendi com o conteúdo do filme, ainda mais sendo do
Park Chan Wook, diretor de filmes chocantes como
Oldboy e
Lady Vingança. Não esperava que o filme fosse ser uma comédia romântica. Nem de longe é do tipo que a gente está acostumado a ver, pelo contrário, é algo bem original, com personagens que fogem completamente dos padrões de normalidade do mundo (literalmente, pois a história se passa praticamente toda em um hospício), tem um humor negro muito interessante e se revela bem sensível em seus momentos dramáticos.
Tudo na construção do filme foi muito bem feito, fotografia, figurino, cores, trilha sonora, roteiro, elenco. Você tem que amar o trabalho de
Park Chan Wook, ele sabe como fazer um filme e escolher a história certa. Eu achei a abertura brilhante! O elenco conta com o
Rain, e foi a segunda vez em que o vi atuando num papel importante. Tá mais do que comprovado que ele é um ator de nível altíssimo.
Noriko no shokutaku (2005) - o filme é uma sequência de
Suicide Circle, ambos dirigidos por
Sion Sono. Foi baseado no livro escrito pelo diretor, onde a história mostra acontecimentos que antecedem a onda de suicídios mostrada no primeiro filme, através de uma menina chamada Noriko, que foge de casa para se encontrar com uma amiga da internet pois está insatisfeita com sua vida. O filme também mostra acontecimentos que se seguem depois da onda de suicídio e funciona mais ou menos como um complemento para entendermos melhor as dúvidas deixadas pelo primeiro filme.
O filme se difere do primeiro por não ter cenas explícitas de violência nem o clima de suspense/horror que o primeiro ainda teimou em criar. Apesar de gostar muito da mistura de drama, suspense e horror do primeiro,
Noriko no shokutaku me agradou bem mais por ser totalmente voltado para o drama, se aprofundando mais nos aspectos psicológicos da história e tratando com delicadeza e realismo assuntos como existencialismo, a natureza do ser humano, o vazio e a solidão que as pessoas sentem mesmo em um mundo que parece cada vez menor e mais próximo por causa da globalização.
É um filme complexo e confesso que me deixa confusa em relação a vários pontos, mas como o diretor anunciou um terceiro filme para fechar a trilogia, tenho esperanças de entender tudo ou pelo menos grande parte dessa história até o final.
Embora seja um filme alternativo, ele tem 2:40h de duração e pode se tornar cansativo. Não foi para mim, fiquei querendo é mais história para satisfazer minha curiosidade. E a narrativa que varia entre quatro personagens e a divisão do filme em capítulos ajuda a não se perceber o tempo passando.
Acredito que toda essa trilogia tenha sido criada de maneira despretensiosa, mas pra mim já virou obra-prima. O que mais me atrai nesse filme é como a história expõe as falhas da sociedade, as falhas que ela tende a esconder e ignorar. Acho que é uma crítica bem dura. Eu gosto de histórias que tratam mais do ser humano e sua natureza, e bom exemplo disso é o fato de
Kids Return ser meu filme preferido. Nem de longe recebeu a atenção que outros filmes do
Takeshi receberam (falo isso internacionalmente, pois não sei como foi no Japão), como
Dolls e
Hana-bi, mas ele me conquistou por apenas contar a história de dois garotos e mais nada. Tão simples e ao mesmo tempo tão rico em sabedoria.
Ouvindo: HowL - 더 이상
Sexta-feira, Abril 17, 2009
Desde o dia 2 de março eu estou fazendo um curso de cabeleireiro no SENAC. E estou amando, é realmente muito divertido mexer em cabelos. Começamos com algumas aulas teóricas com direito a uns trabalhinhos chatos, mas em menos de 2 semanas já fomos pro salão começar a prática.
Primeiro começamos aprendendo a lavar cabelos e a hidratá-los. Lavar cabelo é bem legal, mas infelizmente me causa muita dor nas costas. Sou a única lá que reclama disso, e sou uma das mais novas -.- Hidratar é bem monótono, é basicamente ficar passando o creme na cabeça da pessoa com o pincel e com as mãos, eu tenho nervoso de creme então não acho agradável ficar com a mão toda melada de creme, mas faz parte e o cabelo realmente ganha um brilho lindo depois da aplicação.
Duas semanas depois entramos em escova e estou achando o mais legal até agora. Fazer escova é tão mágico! O primeiro cabelo que fiz foi um curtinho, um dos mais difíceis da turma... O segundo foi mais comprido e consegui ver um efeito melhor, mas infelizmente tive que dividir com outra pessoa porque a professora queria fazer o amigo oculto de Páscoa logo. Depois disso já levei duas pessoas lá como modelos, todo cabelo que pego é diferente e isso é bom pra eu treinar nos tipos mais variados, mas infelizmente tive que dividir esses dois também.
Se tem algo que eu realmente não gosto é ter que dividir o cabelo com outro aluno. Eu sei que é importante trabalhar em grupo, mas eu vou fazer o cabelos dos meus clientes sozinha e preciso treinar sozinha pra isso! Eu sei que fica complicado pois algumas pessoas acabam ficando sem modelo e temos que dividir, mas eu não gosto. Eu queria poder pelo menos uma vez fazer um cabelo inteiro pra ver como me saio, se o acabamento fica bom, quanto tempo demoro. Acaba que só posso fazer isso aqui em casa. Eu até acho que aceitaria isso melhor se todos fizessem em dupla, mas sempre vejo as mesmas pessoas fazendo sozinhas e acho injusto, eu odeio ter que ser uma das que divide sempre. Mas também não tenho coragem de ver uma pessoa parada na sala sem fazer nada e saber que estou com uma cabelo só pra mim.
Mas fora isso o curso é bem legal sim, as pessoas são bem amigáveis e tranquilas. Completamente diferentes de mim, claro, mas nada que atrapalhe a convivência. Tá, exceto quando ligam o rádio naquelas músicas HORROROSAS. Preciso levar um CD com k-music pra lá. Agora quero ver se consigo chamar minhas amigas aqui em casa pra eu fazer o cabelo de todas. Elas tem que aproveitar enquanto é de graça e enquanto ainda não estou viajando pelo mundo sendo personal hair stylist do DBSK!
Ouvindo: HYDE - SECRET LETTERS
Sexta-feira, Abril 10, 2009
Tenho ficado tanto tempo sem postar que quando finalmente resolvo vir aqui escrever nem sei por onde começar. Até a listinha que eu fazia com as coisas sobre as quais falar eu acabei esquecendo de fazer e ficaram só as coisas bem antigas. Mas vamos lá...
A Love to Kill (spoilers!)
Falar desse drama é difícil porque ao mesmo tempo em que ele é muito bom, ele me deixou extremamente irritada e decepcionada. Fica estranho dizer que amei o drama se eu simplesmente odiava a mocinha e torcia contra o casal principal.
Lembro que estava perdendo as esperanças de que o BokGu estaria mesmo só se vingando da chata da Cha Eun Seok e começando a se apaixonar mesmo por ela, quando no final do episódio 8 (acho que foi nele) ele faz uma das coisas mais escrotas ever (um dos melhores momentos do drama) e me devolve todas as esperanças. E de novo eu começo a perdê-las e a achar que a DaJung não tem mais chances e ele vai até ela e promete terminar o que começou, e que assim que terminar volta pra ela. No fundo eu sabia que ele não voltaria, que ele estava mesmo amando aquela chata, mas eu realmente gostava de acreditar que o drama não estava seguindo aquele caminho triste.
A DaJung é simplesmente muito fofa, o tipo de personagem que me cativa fácil. Ao mesmo tempo em que ela se dedica inteiramente ao BokGu, ela é independente. Tem uma personalidade engraçada e muito viva, não é fresca (ela não torce o fucking pé toda vez que desce uma escada!) nem perfeitinha. Ela é tudo que a chata da Cha Eun Seok não é. E ainda é LINDA.
Torci muito por ela, ela e BokGu realmente formariam um casal lindo, mas a verdade é que se eles ficassem juntos um pouco do encanto da personagem se perderia, não? Eu gosto de personagens que sofrem de amor não-correspondido, essa melancolia faz parte da beleza deles.
Aí você diz que assim como ela amava o BokGu o Mi Sook a amava, e que se fosse pra sentir dó teria que sentir dele também porque ele sofria igual a ela. Aí eu digo: pra mim ele foi criado só pra causar esse pensamento, pra mostrar que alguém amava a DaJung, que ela não era nenhuma coitada. Na verdade, achava esse sentimento do Mi Sook uma injustiça com a DaJung, pois ela ficava fazendo pouco caso dele às vezes, e com certeza isso deve ter feito as pessoas não gostarem muito dela. Mas eu gostava da amizade dos dois, ela sempre estava ao lado dela e a ajudava quando ela ficava mal por causa do BokGu. Odiei ele ter ido morar com a chata pra ajudá-la a cuidar do MinGu, porque isso afastou ele da DaJung e a deixou sozinha. No final, ele aparece em um salão de cabeleireiro junto com o irmão da Cha Eun Seok, o que deu a entender que ele foi embora da casa da DaJung e se distanciou mesmo dela.
E eu preciso colocar aqui meu ódio pela Cha Eun Seok. No ínicio confesso que até aturava ela. Mesmo sabendo que ela havia causado todo o mau entendido que a fez ter que se casar com o Kim Joon Sung, eu achava injusto com ela. Mas a partir do terceiro ou quarto episódio ela se torna tão insuportável que fica impossível sentir pena. Cada vez que ela se mostrava mais apaixonada pelo BokGu, mais antipatia por ela eu sentia. E quando mais apaixonada por ele, mas depressiva e chata ela ficava, mais peixe morto ela parecia. Só de saber que o MinGu estava no hospital por causa dela era revoltante! E quando ela diz que estava se esquecendo do antigo amor e que nem queria lembrar... REVOLTANTE! E ela quebrava a porra do salto toda hora que descia uma escada! Ela chamava o BokGu de Pperu! Ela ligava pra ele a cada cinco minutos! A cena dela cantando "I'm singing in the rain" (só essa frase) repetidas vezes é muito irritante! Na verdade, qualquer coisa que ela fazia me dava nos nervos, eu poderia citar todas as cenas dela como algo irritante.
Um momento que acabou comigo foi quando o BokGu vai ao hospital e desabafa tudo pro MinGu. Odiei tanto quando ele disse que o pior erro dele foi ter se apaixonado pela pessoa mais doce do mundo (a.k.a. a chata). Só pensei em tudo que a DaJung fez por ele e ele falando que a mulher mais irritante do mundo era a mais doce. O que aquela imbecil fez de bom? O MinGu não merecia todo o sofrimento que teve.
De longe, o fato de no final a Cha Eun Seok ter voltado para o Kim Joon Sung foi um golpe muito baixo. Ela volta pra ele porque não pode ficar junto com o BokGu, ou seja, ela usa o amor dele de maneira muito egoísta. E ainda foge e vai pro local onde ela e o BokGu se encontraram pela última vez e quase morre congelada na neve. Não bastasse usar o amor do Joon Sung, ela ainda foge e deixa ele preocupado, a ponto de se humilhar e ir atrás do BokGu porque ele sabia que ela tinha ido atrás dele, mesmo que tenha sido atrás de lembranças dele.
Pelo menos o BokGu foi digno o suficiente pra não se comprometer com a DaJung sem gostar dela, ele foi embora viver a vida dele. Mesmo sofrendo, ele não usou ninguém pra fingir ter uma vida feliz. Ele aceitou o destino dele.
E se existem todos esses desencontros amorosos, a culpa é o que os move durante a história. Cha Eun Seok e BokGu se sentem culpados por se amarem, como se fosse algum tipo de traição com o MinGu, resultando em um final trágico, mostrando que eles nunca poderiam ficar juntos enquanto vivessem por sentirem que o amor entre eles era um fardo muito pesado para se carregar.
A DaJung se sente culpada por achar que o amor dela pelo BokGu impede que ele seja livre, pois ela sabe que ele não a ama e não vai ficar com ela nunca, mas que ele faz promessas vazias porque tem medo de magoá-la e tem muito carinho por tudo que ela já fez por ele. Mas isso acaba magoando a DaJung mais ainda quando ela finalmente resolve encarar essa realidade.
E o Kim Joon Sung se sente culpado por ter causado sofrimento na vida da Cha Eun Seok com toda a história do casamento. Quando chega a hora de acabar com a carreira dela ele não tem coragem e a ajuda a voltar ao topo, também ficando com ela no final mesmo sabendo que ela não amava ele. Ele aceita ficar com ela e cuidar dela (que ficou com problemas psicológicos), como se merece não ser amado por ela por tudo que ele fez antes e esse fosse o castigo dele.
A Love to Kill é um drama muito cruel, eu não encontro maneira melhor de defini-lo. Tanto em sua história repleta de sofrimento quanto ao destino de cada personagem. E também quanto a chata da Cha Eun Seok que a gente tem que aturar, e aos caminhos que o drama seguem, que acabaram sendo diferentes do que eu esperava.
Desculpa ae se tiver muito erro, são 4:13 da manhã e eu não estou mais raciocinando e nem revisei tudo que escrevi.